O salário pode ser por hora. A vida não.
O aluguel vence. A comida precisa estar na mesa. As contas chegam todo mês — mesmo quando a empresa oferece menos horas de trabalho.
A PEC 12/2026, do Senador Rogério Marinho (PL), coordenador da campanha a presidente de Flávio Bolsonaro, ainda em tramitação no Senado, propõe remuneração proporcional às horas trabalhadas, mas não fixa uma quantidade mínima de horas contratadas. Sem essa garantia, o trabalhador pode não saber quanto vai receber no fim do mês.
Imagine: a R$ 10 por hora, 160 horas rendem R$ 1.600. Se houver apenas 80 horas, são R$ 800. Com 40, apenas R$ 400. O valor da hora continua igual. A renda para sustentar a família despenca.
É esse o risco de aproximar o emprego de uma lógica sob demanda: a jornada varia, e junto com ela varia o dinheiro para pagar as despesas básicas.
A experiência dos contratos de zero horas no Reino Unido mostra que direitos por hora não garantem, por si só, uma renda mensal previsível. O país prepara novas proteções para oferecer horas garantidas a trabalhadores elegíveis e dar mais antecedência na comunicação dos turnos.
Flexibilidade precisa vir acompanhada de proteção. Quem trabalha precisa poder planejar o mês, cuidar da família e pagar as contas.
Para o SEAAC de Bauru e Região, qualquer mudança deve garantir renda mínima, jornada previsível e negociação coletiva efetiva.
Trabalhador não vive de convocação. Vive de salário — e precisa saber com o que pode contar.





