FIM DA ESCALA 6X1: Qual a posição dos 2 principais candidatos a presidente
Fim da da escala 6 x 1, com jornada de seis dias de trabalho para apenas um de descanso divide os principais candidatos à Presidência
O fim da escala 6×1 se consolidou como um dos principais debates trabalhistas das eleições de 2026. A discussão envolve diretamente milhões de trabalhadores que atualmente podem cumprir seis dias consecutivos de serviço para apenas um dia de descanso.
A proposta que avançou no Congresso estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias de trabalho, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial. A PEC 221/2019 foi aprovada pela Câmara e, em 2 de setembro, também recebeu aprovação da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Ainda precisa ser votada em dois turnos pelo plenário da Casa.
Diante de uma mudança que pode alterar profundamente a organização do trabalho no Brasil, as posições dos candidatos à Presidência apresentam diferenças importantes.
- Lula (PT): defende 40 horas, escala 5×2 e manutenção dos salários
Entre os principais candidatos, Luiz Inácio Lula da Silva apresentou posição favorável à mudança da jornada para cinco dias de trabalho e dois de descanso, com limite de 40 horas semanais e sem redução salarial.
A proposta foi incorporada à agenda do governo e enviada ao Congresso, tornando o fim da escala 6×1 uma das bandeiras defendidas por Lula durante a campanha eleitoral .
O modelo defendido pelo presidente coincide com o texto que avançou no Congresso: redução de 44 para 40 horas, dois dias de descanso semanal e preservação do salário.
A diferença em relação a parte dos adversários está justamente na defesa de uma regra nacional que assegure os dois dias de descanso, e não apenas na possibilidade de empregado e empregador negociarem individualmente a jornada. A tramitação no Senado ganhou impulso após articulação política envolvendo Lula e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
- Flávio Bolsonaro (PL): critica a proposta e defende a livre negociação e o pagamento por hora
Flávio Bolsonaro tem criticado o modelo de fim da 6×1 aprovado pela Câmara, afirmando que a medida pode aumentar custos e produzir efeitos negativos sobre o emprego.
Em maio, classificou a discussão como “inoportuna e eleitoreira” e apresentou como alternativa um sistema de remuneração por hora trabalhada*, argumentando que o trabalhador poderia escolher trabalhar mais ou menos horas.
Posteriormente, entretanto, ao ser questionado sobre como votaria a PEC no Senado, evitou declarar expressamente seu voto e voltou a defende liberdade na definição da jornada entre o patrão e o empregado.
A proposta de Flávio é substancialmente diferente da PEC em tramitação. Enquanto o texto aprovado pela Câmara estabelece como direito dois dias de descanso por semana, sua alternativa aposta na flexibilização dos contratos e na remuneração por hora.
Assim, permanece uma questão objetiva para os trabalhadores: a proposta defendida pelo candidato não estabelece, como regra geral, a garantia da escala 5×2 prevista na PEC.
O trabalhador precisa observar as diferenças
Quando se olha apenas para declarações genéricas favoráveis a “trabalhar menos”, as posições podem parecer semelhantes. Na prática, entretanto, existem diferenças consideráveis.
Lula defende expressamente 40 horas semanais, cinco dias de trabalho, dois dias de descanso e ausência de redução salarial.
Já Flávio Bolsonaro propõe pagamento por hora e negociação entre patrão e empregado, além de ter evitado informar diretamente como votaria a PEC quando questionado.
A PEC que tramita no Senado é objetiva: jornada máxima de 40 horas, cinco dias de trabalho, dois dias de repouso remunerado e nenhuma redução salarial. E a votação final, segundo o Presidente do Senado, deverá ocorrer após o 1° turno das eleições ou até após o 2° turno.
Portanto, conhecer exatamente o que cada candidatura propõe, permite que trabalhadores avaliem diretamente as consequências de cada proposta sobre sua jornada, descanso e remuneração.



