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Emprego em alta, descanso ainda em disputaEditorial de Lázaro Eugênio, presidente do SEAAC de Bauru e Região

O Brasil chega à eleição presidencial de 2026 com uma situação que merece reflexão. O emprego cresceu, o número de trabalhadores com carteira assinada alcançou um patamar histórico e a economia apresenta resultados positivos. São conquistas reais. Mas quem vive do próprio trabalho sabe que ter emprego não resolve, por si só, o cansaço de uma jornada extensa, o aperto no orçamento e a falta de tempo para a família.

Talvez esteja aí parte da distância entre os indicadores econômicos e o sentimento de muitos brasileiros. As estatísticas mostram o avanço do país; a vida cotidiana mostra quanto ainda falta para que esse avanço se transforme em bem-estar. Reconhecer as duas coisas é essencial para discutir o futuro com honestidade.

O fim da escala 6×1 tornou essa discussão concreta . A proposta de reduzir a jornada semanal, sem redução salarial e com dois dias de descanso, avançou no Congresso, mas ainda depende de aprovação para se tornar um direito. Para milhões de pessoas, um segundo dia de descanso significa tempo para cuidar dos filhos, estudar, recuperar a saúde e simplesmente viver.

Também é preciso olhar para as posições e os atos dos candidatos. O presidente Lula defende publicamente o fim da escala 6×1. Flávio Bolsonaro tem defendido um modelo alternativo de jornada e não declarou como votaria na proposta em discussão. Em setembro, o líder do governo no Senado atribuiu a Flávio e a integrantes da oposição uma articulação que dificultou sua votação naquele momento . É justo que o senador responda com clareza : apoia a redução da jornada para 40 horas, com dois dias de descanso e sem corte de salário? Que medidas efetivas adotaria para aprová-la?

Nenhum candidato pode garantir sozinho a aprovação de uma emenda constitucional. O resultado dependerá também do Congresso. Por isso, transformar uma posição genérica sobre “liberdade” em compromisso verificável importa mais do que qualquer slogan eleitoral.

Como sindicato, defendemos que o crescimento econômico seja acompanhado de melhores salários, proteção social e tempo de vida. O debate eleitoral precisa tratar dessas escolhas concretas. A classe trabalhadora merece saber, com precisão, quem está disposto a fazer a redução da jornada avançar — e como pretende fazê-lo.

Lázaro Eugênio
Presidente do SEAAC de Bauru e Região

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