O país que trabalha também precisa ouvir as mulheres
O Brasil chega às eleições de 2026 com avanços no emprego e na atividade econômica, mas essa eleição também convida a olhar para quem ocupa os espaços de decisão.
As mulheres são maioria do eleitorado brasileiro e seguem muito abaixo dessa proporção no Congresso. Durante décadas, as decisões sobre trabalho, orçamento e direitos foram tomadas em instituições predominantemente masculinas. Ampliar a participação feminina é uma questão de representação democrática, não uma promessa de que o gênero de alguém, sozinho, garanta honestidade ou boas decisões.
Em São Paulo, Simone Tebet e Marina Silva disputam as duas vagas ao Senado e aparecem entre os nomes competitivos nas pesquisas, ao lado de outros candidatos. Ambas têm trajetórias públicas que merecem ser examinadas pelo eleitorado, assim como as de todos os concorrentes. O debate deve considerar propostas, atos, capacidade de fiscalização e disposição para prestar contas. Nenhuma pessoa deve receber um atestado automático de virtude, nem enfrentar uma exigência de prova maior por ser mulher.
Para a classe trabalhadora, há perguntas concretas a fazer a cada candidatura: apoiará a redução da jornada sem corte salarial? Como votará em matérias que afetem a proteção social? Que posição assumirá quando direitos dos trabalhadores entrarem em conflito com interesses econômicos poderosos? E como exercerá a fiscalização dos recursos públicos?
O SEAAC continuará defendendo emprego digno, salário justo, mais tempo de vida e presença efetiva das mulheres na política. Essas pautas não se resolvem com uma frase de campanha. Exigem compromissos públicos que possam ser acompanhados e cobrados depois das eleições.
Lázaro Eugênio
Presidente do SEAAC de Bauru e Região


