Fim da Escala 6×1: O Grito por Dignidade que Sacode o Congresso em 2026
Com o avanço das PECs na Câmara e pressão popular recorde, o Brasil discute o fim de um modelo de trabalho herdado do século passado.
POR REDAÇÃO SEAAC Bauru, 13 de março de 2026
O Brasil vive um momento decisivo para o Direito do Trabalho. O que começou como um movimento nas redes sociais em 2024 e 2025 transformou-se na maior prioridade legislativa do primeiro semestre de 2026: a extinção da jornada 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso). Atualmente, a proposta tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, sob a relatoria do deputado Paulo Azi (União-BA), e a expectativa é que o texto vá a plenário até o Dia do Trabalho, em 1º de maio.
O que está em jogo?
A escala 6×1 é permitida pela Constituição de 1988, que estabelece um limite de 44 horas semanais. Na prática, isso obriga milhões de trabalhadores — especialmente nos setores de comércio, serviços e asseio e conservação — a trabalharem seis dias por semana, muitas vezes com folgas rotativas que impedem o convívio familiar e o descanso efetivo.
As propostas em discussão (principalmente a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton, e a PEC 221/2019, de Reginaldo Lopes) visam reduzir essa carga para 36 horas semanais, sem redução salarial, abrindo caminho para a escala 5×2 (cinco dias de trabalho, dois de folga) ou até a 4×3.
A Batalha no Congresso
O clima em Brasília é de intensa negociação. De um lado, o governo federal, através do ministro Luiz Marinho, defende uma redução imediata para 40 horas e uma transição gradual para 36. Do outro, frentes empresariais alegam um impacto de bilhões de reais na economia e tentam adiar a votação para 2027, sob a justificativa de evitar o “calor eleitoral” de 2026.
Entretanto, o presidente da Câmara, Hugo Motta, sinalizou que o tema não pode mais ser ignorado. O relatório de Paulo Azi deve propor uma transição de quatro anos, reduzindo uma hora de trabalho por ano até que o novo limite constitucional seja atingido.
A Voz do Movimento Sindical
Para as lideranças sindicais que sentem na pele a exaustão da categoria, a mudança não é apenas econômica, é uma questão de saúde pública. A dupla jornada feminina, o esgotamento mental (Burnout) e a falta de tempo para a qualificação profissional são apontados como as principais “doenças” causadas pelo modelo 6×1.
Lázaro Eugênio, presidente do Seaac de Bauru e Região, tem sido uma das vozes mais ativas nessa frente, unindo o apoio técnico do sindicato à luta política.
“A escala 6×1 é uma barreira para a dignidade humana. Estamos falando de pais que não veem os filhos crescerem e de jovens que não conseguem estudar porque o trabalho consome toda a sua energia vital. A luta para que essa lei saia do papel é a luta pela sobrevivência da classe trabalhadora”, afirma Lázaro Eugênio.
O presidente do Seaac também não poupou críticas aos parlamentares que tentam travar o projeto.
“É lamentável ver governantes e legisladores darem as costas para quem carrega este país nas costas. Repudiamos veementemente aqueles que, sentados em gabinetes confortáveis e com privilégios, dizem que a redução da jornada é ‘impossível’. Impossível é continuar vivendo para trabalhar, em vez de trabalhar para viver. O Seaac não vai recuar enquanto essa vitória não for oficializada no Diário Oficial”, concluiu.
O que vem a seguir?
Se aprovada na CCJ nas próximas semanas, a PEC seguirá para uma Comissão Especial antes de enfrentar dois turnos de votação no Plenário da Câmara. Para ser aprovada, precisa de 308 votos favoráveis em cada turno. Em seguida, o texto ruma para o Senado Federal.
A mobilização continua sendo o combustível desse processo. Sindicatos de todo o país prometem grandes manifestações para abril, pressionando cada deputado a declarar seu voto abertamente perante a população.





